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Eleições 2026: acima de vencedores e derrotados, a democracia
NotíciasWadson Benfica26 de out. de 202629 visualizaçõesDestaque

Eleições 2026: acima de vencedores e derrotados, a democracia

Da mobilização histórica dos estudantes à mudança de resultado nas urnas, as eleições de 2026 abrem uma nova reflexão sobre a participação da juventude, a democracia e o compromisso do Estado com a educação pública brasileira.

As eleições presidenciais de 2026 entrarão para a história política do Brasil por um acontecimento pouco comum: a inversão do resultado entre o primeiro e o segundo turno. Entretanto, para além dos números e dos candidatos, esse processo também ficou marcado pela mobilização de estudantes e jovens que decidiram participar ativamente dos debates sobre os rumos do país.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) alcançou 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 45,16%. A diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos colocava o então presidente em segundo lugar na disputa.

Três semanas depois, em 25 de outubro, o resultado foi invertido. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Pela primeira vez desde a redemocratização, um candidato que terminou o primeiro turno na segunda posição conseguiu vencer a disputa presidencial no segundo turno.

Mas há outro capítulo dessa história que merece atenção especial: o protagonismo da juventude brasileira.

Os estudantes e o início de uma mobilização histórica

Logo após a divulgação dos resultados do primeiro turno, estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no Rio de Janeiro, iniciaram uma mobilização que rapidamente ganhou repercussão nacional.

O movimento começou no dia 5 de outubro, com uma assembleia estudantil que reuniu mais de mil participantes, segundo relato da União Nacional dos Estudantes (UNE). Nos dias seguintes, manifestações, reuniões e passeatas alcançaram universidades de diferentes estados brasileiros.

Universitários e estudantes secundaristas participaram de atividades nas ruas, nas instituições de ensino e nas redes sociais, expressando suas posições políticas e mobilizando outros setores da sociedade.

Essas manifestações deram visibilidade à participação estudantil em um momento decisivo da campanha. Embora não seja possível atribuir exclusivamente aos jovens a mudança no resultado eleitoral, a mobilização iniciada nas universidades tornou-se um dos acontecimentos relevantes daquele segundo turno.

O episódio também recorda uma característica importante da vida democrática: os jovens não precisam esperar o futuro para participar das decisões do presente.

A democracia continua depois das urnas

A eleição de 2026 terminou com um vencedor nas urnas, mas também deixou evidente a existência de diferentes posições políticas entre os brasileiros.

Em uma democracia, a diversidade de opiniões faz parte da sociedade. O direito de escolher, discordar, questionar e participar não pertence exclusivamente a quem vence uma eleição.

Por isso, a conclusão do processo eleitoral não encerra o exercício da cidadania. A fiscalização das ações governamentais, o debate público, a liberdade de expressão e o respeito às instituições continuam sendo instrumentos fundamentais da participação democrática.

Mais do que celebrar resultados, compreender a democracia significa reconhecer que ela envolve direitos, deveres e responsabilidades compartilhadas.

E é nesse contexto que a educação ganha especial importância.

A educação pública precisa ocupar o centro do novo cenário

A mobilização de estudantes durante as eleições também coloca uma questão importante no debate nacional: qual será o espaço reservado à educação pública no novo mandato presidencial?

A Constituição Federal, em seus artigos 205 e 206, estabelece que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família. Entre seus princípios estão a igualdade de condições de acesso e permanência na escola, a valorização dos profissionais da educação e a garantia de um padrão de qualidade.

Esses direitos não dependem do resultado de uma eleição. São compromissos permanentes do Estado brasileiro.

O novo mandato, previsto para começar em janeiro de 2027, abre espaço para examinar como o governo pretende enfrentar questões que fazem parte do cotidiano das escolas públicas: infraestrutura, condições de trabalho dos professores, recursos pedagógicos, aprendizagem, inclusão e permanência dos estudantes.

Também permanece em debate a ampliação das oportunidades educacionais, especialmente para crianças e jovens que vivem em comunidades com maiores dificuldades socioeconômicas.

A qualidade da educação não pode ser medida apenas pelo número de matrículas. Ela envolve as condições reais oferecidas aos estudantes para aprender, desenvolver suas capacidades e construir seus projetos de vida.

Educação e democracia: uma relação que não pode ser esquecida

Uma sociedade democrática depende de cidadãos capazes de compreender informações, formular opiniões, reconhecer direitos e participar conscientemente da vida coletiva.

Nesse processo, a escola desempenha uma função que vai muito além de ensinar conteúdos curriculares.

É também no ambiente escolar que crianças e adolescentes podem aprender a dialogar, respeitar opiniões diferentes, avaliar informações e compreender o funcionamento das instituições públicas.

Em outubro de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério da Educação (MEC) anunciaram uma parceria para implementar a educação política nas escolas, com uma abordagem plural, voltada à cidadania e livre de proselitismo partidário.

Essa iniciativa acrescenta uma dimensão importante ao debate: a formação política dos estudantes deve estar relacionada ao conhecimento, à reflexão crítica e à compreensão das regras democráticas, sem confundir educação com promoção de partidos ou candidatos.

O compromisso que permanece

As eleições de 2026 demonstraram que um cenário eleitoral pode mudar entre dois turnos e que a participação política se manifesta de diferentes maneiras.

Os estudantes que se mobilizaram nesse período passaram a integrar a história desse processo eleitoral. Agora, encerrada a votação, permanecem as reivindicações relacionadas ao acesso à educação, à permanência nas instituições de ensino e à qualidade da formação oferecida à população.

O governo reeleito continuará sujeito à cobrança pública pelo cumprimento dos direitos educacionais, assim como os governos estaduais e municipais, que também possuem responsabilidades constitucionais nessa área.

A democracia permite que essas reivindicações sejam apresentadas, discutidas e acompanhadas pela sociedade, independentemente das preferências partidárias de cada cidadão.

Afinal, os governos passam, os mandatos terminam, mas o direito à educação e a participação democrática permanecem.

Acima de vencedores e derrotados, está uma responsabilidade que pertence a todos: preservar as instituições democráticas e reconhecer na educação um dos fundamentos para o exercício pleno da cidadania.


Fontes consultadas

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